terça-feira, 6 de setembro de 2011

Uma alegria e um problema

 Todas as mulheres iam para seus quartos acompanhadas de seus filhos, mas isso não aconteceu comigo. Estava muito "grog" da anestesia, impotente, minha mãe, que estava comigo, não recebia informações por mais que perguntasse, depois que as visitas foram embora, algumas cansadas de esperar, outras foram expulsas mesmo pelas enfermeiras, já era quase meia noite quando uma delas trouxe meu pequeno pra eu ver, ela colocou ele pertinho do meu rosto e mandou eu dar um beijo nele, disse que ele estava cansado e precisava ficar de observação, ela o levou pra UTI neonatal sem mais nenhuma explicação... Amanhecido o dia e as dores da cirurgia evidentes eu fui ver meu filho, ele estava só de fraldinha numa incubadora, cheio de fios e máquinas, não sabia o que fazer... me chamaram prara dar de mamar, que sofrimento, ele só chorava e não sulgava, ficava roxo e não mamava, estava me sentindo culpada e inútil, até que apareceu a pediatra e perguntei por que exatamente meu filho estava ali, ela me ignorou e disse o mesmo que a enfermeira, mas quando meu marido chegou encostou ela na parede e ela enfim soltou a verdade, disse que meu filho tinha passado da hora de nascer, que fiquei muito tempo perdendo líquido, e ele teve uma infecção no pulmão, por isso estava cansado e precisava das máquinas pra respirar... Voltei para o quarto e mais tarde quando me chamaram parar mais uma tentativa (frustrada) de amamentar, encontrei a mesma pediatra que me disse o seguinte: "- Olhe mãe, seu filho tem o céu da boca aberto viu." Desse jeito, com essas palavras, eu quase caio pra tras, não entendi o que ela tinha dito e logo me passou pela cabeça que a culpa era minha, tentei saber mais, o que foi inútil, ela só me disse que tinha uma cirurgia pra ser feita com um ano de idade... Quase enlouqueço, e quase enlouqueço minha família, a falta de informação faz qualquer um insano... Recebi alta e ele não, ele foi transferido para a semi intesiva, ficamos no hospital por uma semana, ele tomava leite por uma seringa, pois não tinha força pra sulgar por causa da abertura. Foram momentos terriveis, até que fomos pra casa e fui tentar entender o que estava acontecendo...

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